Resumo curto:
Estudo com mais de 53 mil pessoas revela que o consumo moderado de vinho está associado a menor risco cardiovascular e menor atividade cerebral ligada ao estresse.
Coração tranquilo, mente mais leve
É possível que um cálice de vinho no fim do dia traga mais do que prazer — pode ser também um gesto de cuidado com a saúde.
Uma pesquisa conduzida pela equipe de cardiologia do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, analisou mais de 53 mil pessoas e trouxe descobertas surpreendentes: o consumo moderado de vinho esteve associado a menores índices de doenças cardiovasculares e sinais cerebrais de estresse.
O estudo foi apresentado em um dos principais congressos da área e reforça o que muitas culturas tradicionais já praticam há séculos: o vinho pode ser um aliado do bem-estar... desde que consumido com equilíbrio.
O que o estudo observou?
Os participantes foram divididos em quatro grupos, conforme a quantidade semanal de ingestão de vinho:
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Nenhuma ingestão
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Baixa ingestão: menos de uma dose por semana
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Ingestão moderada: entre 1 e 14 doses por semana
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Alta ingestão: mais de 14 doses semanais
A conclusão foi clara: o grupo com consumo moderado apresentou menor ativação de áreas cerebrais relacionadas ao estresse e à inflamação. Além disso, esses participantes tiveram:
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20% menos chance de sofrer eventos vasculares e cerebrais adversos;
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Menores níveis de inflamação nos vasos sanguíneos, um dos principais fatores de risco cardiovascular.
Em contrapartida, os grupos com ingestão baixa, alta ou nenhuma apresentaram maior atividade cerebral ligada ao estresse, o que pode aumentar a probabilidade de problemas cardiovasculares.
O que explica essa relação?
A chave está na modulação do estresse neurológico. Segundo os pesquisadores, o consumo moderado de vinho reduz a ativação de regiões do cérebro associadas ao estresse crônico. Com isso:
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Diminui-se a liberação de substâncias inflamatórias no organismo;
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Os vasos sanguíneos são menos afetados;
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Há menor risco de eventos como infartos, AVCs e outras doenças cardiovasculares.
Além disso, o vinho contém polifenóis, como o resveratrol, com efeito antioxidante e anti-inflamatório, o que pode potencializar essa proteção natural.
Moderação é a palavra-chave
Antes de brindar à saúde, vale o lembrete: moderação é essencial. O mesmo estudo aponta que o consumo excessivo não traz os mesmos benefícios e pode, inclusive, trazer efeitos opostos.
A recomendação geral gira em torno de uma taça por dia para mulheres e até duas para homens — considerando vinhos com teor alcoólico médio, de cerca de 12-14%.
Resumo final
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Estudo com 53 mil pessoas mostrou que o consumo moderado de vinho reduz o risco de doenças cardíacas e sinais cerebrais de estresse.
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A menor ativação de regiões cerebrais ligadas ao estresse resultou em menor inflamação vascular e 20% menos eventos cardiovasculares.
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Os grupos de consumo moderado se saíram melhor do que os de ingestão baixa, alta ou nenhuma.
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Moderação é fundamental para obter os benefícios à saúde.