Você pode até pensar que o momento mais nobre do vinho acontece na taça. Mas pergunte a qualquer enólogo experiente e ele vai te contar: o dia da colheita é o mais importante da vida de um vinho.

Colher cedo demais? O vinho fica ácido e com menos álcool.
Esperar demais? A uva pode passar do ponto e perder frescor.
O segredo? Equilíbrio.

A data ideal depende de muitos fatores:

  • Tipo de vinho que será produzido (espumante, branco, tinto, doce…)

  • Nível de açúcar na uva (medido em Brix)

  • Acidez e pH

  • Maturação fenólica (taninos, cor, aroma)

  • Condições climáticas

  • Experiência e feeling da equipe no campo

Quando acontece a colheita?
Depende da região:

  • No Sul do Brasil e no hemisfério Norte, a vindima ocorre no verão.

  • Já em regiões do Sudeste brasileiro, ela acontece no inverno (dupla poda ou poda invertida), aproveitando a seca e amplitude térmica do período.

Para cada vinho, uma maturação diferente:

  • Espumantes → colheita precoce, priorizando acidez e frescor.

  • Tintos → precisam de equilíbrio entre açúcar, taninos e compostos fenólicos.

  • Brancos → exigem acidez viva, teor alcoólico adequado e expressão aromática.

  • Doces → colheita tardia, buscando alta concentração de açúcar.

E como isso impacta o vinho?

  • Colheita antecipada: menos álcool, mais acidez, notas verdes e menor longevidade.

  • Colheita ideal: equilíbrio entre açúcar e acidez, aromas complexos e estrutura boa.

  • Maturação perfeita: taninos polidos, álcool na medida, frescor e potencial de guarda.

Curiosidades da vindima:

  • A mesma uva pode ser colhida em momentos diferentes para gerar estilos distintos.

  • Se o clima ameaça chuva, o produtor pode antecipar tudo para salvar a safra.

  • E, às vezes, a escolha do dia certo depende mais do olhar treinado do enólogo do que de qualquer medidor.

 

Por trás de cada gole bem feito, tem muito mais do que um terroir incrível. Tem decisão, técnica e uma escolha certeira de quando colher.